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CRISE NA VENEZUELA: Entenda a crise que o país enfrenta e a relação com o Brasil

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Nunca se viu uma crise na Venezuela tão forte como a que está acontecendo agora. Fome, violência, dois presidentes, soldados desertando e pessoas saindo do país.

Mas afinal, o que está acontecendo na Venezuela? Por que há diversos países se intrometendo no assunto? Acompanhe nossa linha do tempo e entenda a crise venezuelana.

Venezuela: Crise no país envolve Brasil e Colômbia
Foto: Carlos Garcia Rawlins / Reuters

CRISE NA VENEZUELA: Entenda a crise que o país enfrenta e a relação com o Brasil

De ditadura para eleições

Em 1922, durante o governo de Juan Vicente Gómez, começou a exploração das jazidas de petróleo na Venezuela.

O país tem uma longa história de governos ditatoriais, como de Juan Vicente Gómez e Pérez Jiménez. Mesmo após eleições livres, os militares conseguiam tirar o presidente do posto, instaurando uma nova ditadura.

Já em 1973, Carlos Andrés Pérez foi eleito e foi nesse governo que a história da Venezuela começou a mudar.

 

Crise do Petróleo de 1973

A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, com mais de 300 milhões de barris, segundo cifras de 2015 da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Isso coloca o país à frente da Arábia Saudita, com 266 milhões de barris, Irã, com 158 milhões de barris e Iraque, com 142 milhões de barris.  

A renda da Venezuela subiu, junto com o preço do petróleo. Em 1976, as indústrias petrolíferas foram nacionalizadas, o que levou o governo a gastar mais, aumentando a dívida externa do país.

Durante a década de 1980, o preço do petróleo entrou em crise, prejudicando a economia venezuelana. O governo, porém, precisava pagar as dívidas que tinha feito e desvalorizam a moeda, fazendo com que o nível de vida da população também caísse.

Políticas econômicas fracassadas, aumento da corrupção no governo, aumento da pobreza e do crime. Essa era a realidade da Venezuela na década de 80.

Em 1989, o governo subiu o preço das passagens de transporte e dos combustíveis, o que não agradou ninguém. Com isso, a população foi para as ruas manifestar, principalmente na cidade de Caracas, queimando casas, comércios e carros. Esse movimento foi chamado de Caracazo.

A Venezuela estava em crise e o presidente Carlos Andrés Pérez precisou da ajuda dos militares para se proteger. Essa repressão do exército e do governo deixou, aproximadamente, entre 300 e 3 mil mortos.Venezuela: Petróleo marca uma das maiores crises vividas pelo país

 

A aparição de Hugo Chávez

Com o país polarizado, alguns grupos de militares não concordavam com a repressão ao Caracazo e com o apoio da população, foi para cima do governo. Eles queriam tirar Carlos Andrés Pérez do poder, numa tentativa de golpe militar. Um dos envolvidos no movimento era Hugo Chávez Frías, que era paraquedista do exército. Sim, era o popular Hugo Chávez.

Os militares leais ao presidente, Carlos Andrés Pérez, conseguiram prender Hugo Chávez.

Já em 1992, os militares que eram do mesmo grupo de Chávez tentaram dar mais um golpe, mas falharam, pela segunda vez. Com essas tentativas de conseguirem o poder, os envolvidos deixaram mais de 300 mortos no país.

Os militares não conseguiram tirar Pérez do poder, mas a justiça conseguiu e o presidente sofreu um impeachment, depois de anos sendo acusado de corrupção.

 

A era Chavista

Em 1993, novas eleições foram feitas e quem venceu foi Rafael Caldera. O presidente perdoou Hugo Chávez, que saiu da cadeia e em 1998 venceu as eleições, com 56% dos votos, se tornando presidente da Venezuela.

Com o governo de Hugo Chávez, houve a criação de dois termos: O Chavismo e o Bolivarianismo. O primeiro se tornou um movimento ligado à ideologia do presidente, sendo um governo centralizador, que prioriza a estatização e chamado pelo próprio Chávez de “Socialismo do século 21”, como afirma o Nexo Jornal.

O Bolivarianismo é apenas o pano de fundo do governo, sendo baseado em Simón Bolívar, que foi um militar e líder político venezuelano, que liderou a luta pela descolonização do país.

Chavéz então propôs uma nova constituição que foi aprovada pela população, com 72% dos votos a favor. Nessa nova forma de governo, ele excluiu a câmara e o senado e criou uma assembleia nacional única, o chamado unicameralismo.

Em 2000, Hugo Chávez se reelegeu, conquistou a assembleia e estava com o poder nas mãos. Com isso, ele criou novas leis e estatizou empresas e terras. Chávez também permitiu que o governo tivesse poder na economia, principalmente do petróleo.

Venezuela: Hugo Chávez quando era paraquedista do exército
Hugo Chávez Frías no exército

O golpista sofreu um golpe

Os empresários e sindicatos da Venezuela que estavam ligados ao petróleo não ficaram satisfeitos com as decisões tomadas e o país enfrentou uma greve geral nacional, com duração de mais de dois meses, além de uma greve na companhia estatal de petróleo, a PDVSA.

Com quase tudo parado, a economia enfrentou novamente uma crise, afetando até o Produto Interno Bruno (PIB) da Venezuela.  

Já em 2002, um grupo de políticos e empresários se reuniram para tentar tirar Hugo Chávez do poder. Conseguiram, mas por pouco tempo. Após três dias deposto, Chávez voltou à presidência graças ao exército governista. E claro, depois disso o país ficou ainda mais dividido e o presidente demitiu muitos funcionários da PDVSA, acusando-os de sabotar o governo.

Em 2004, a oposição fez um referendo com a intenção de tirar Hugo Chávez do poder, mas fracassou, já que a maioria, 59%, votou pela permanência do presidente no governo.

Chaves, em 2012, concorreu a mais uma eleição a presidente, a quarta de sua carreira política e última também. Em março de 2013 ele faleceu, vítima de câncer, e não chegou a tomar posse. O vice, Nicolás Maduro, tinha uma certa presença política nessa época e concorreu a eleição de presidente. Ganhou com 51% dos votos.

 

Maduro no poder

Após dois anos de governo, em 2015, a maioria dos integrantes da Assembleia Nacional era da oposição, fato que nunca ocorreu na era Chavista. Com isso, a assembléia convocou um referendo para tirar Maduro do poder, mandato que iria até 2018.

A Justiça Eleitoral, porém, vetou o pedido, alegando que as assinaturas que foram recolhidas para comprovar o desejo de tirar o presidente do cargo, tinham sido fraudadas.

A Assembléia não ficou satisfeita com o resultado e o Tribunal Superior de Justiça precisou intervir. Com isso, a economia da Venezuela estava afundando, a inflação passou de 250% e a mortalidade infantil aumentou 30%.Venezuela: Presidente Nicoláz Maduro não aceita sair do cargo

 

A queda da Venezuela

Segundo o Nexo Jornal, o Produto Interno Bruto (PIB) do país quando Hugo Chávez se tornou presidente era de US$ 97 bilhões e quando ele faleceu era de US$ 371 bilhões.

A expectativa de vida da Venezuela também subiu, passando de 59 anos para 74 anos. Mas tudo isso começou a tomar outros rumos quando o preço do petróleo caiu. Em 2015, o barril do produto era comercializado por US$ 112 e em meados de 2017, passou a US$ 56.

Como o petróleo era o carro chefe da economia do país, nunca foi investido no crescimento da indústria nem na agricultura. Eles usavam o dinheiro que entrava da venda do petróleo para comprar o que o país não produzia, pois assim era a forma mais simples.

Como a economia do país enfraqueceu, sobrou pouco dinheiro para a compra dos produtos, fazendo com que faltasse diversas coisas para a população, como comida e remédio.

A população foi às ruas para manifestar o que estava acontecendo na Venezuela e o governo reprimiu com violência. Mas em 2018, Maduro se reelegeu em uma eleição não reconhecida pela oposição e por muitas comunidades internacionais.

A Venezuela enfrenta hoje um duelos de dois presidentes, Maduro, que diversos países não o reconhecem como tal e Juan Guaidó, de 35 anos, que se autoproclamou presidente e é reconhecido por esses mesmos países.

 

Juan Guaidó – o novo (não) presidente da Venezuela

Tudo aconteceu em janeiro, mais precisamente no dia 10. Nesse dia, Nicolás Maduro tomou posse para seu segundo mandato. Mas a oposição não reconheceu Maduro como presidente legítimo do país.

Juan Guaidó que assumiu a presidência da Assembleia Nacional, em meados do mesmo mês, se autoproclamou presidente. No dia 23 de janeiro, ele foi reconhecido pelos Estados Unidos, União Européia e o Grupo de Lima, que reúne a maioria dos países latino-americanos, como Brasil e Canadá, segundo informações da BBC.

Apoiando Maduro, segundo o jornal O Globo, estão China, Turquia, Irã, Rússia, Cuba e Bolívia.

Venezuela: Juan Guaidón se autodeclarou presidente do país
Foto: AP Photo / Fernando Llano

 

A (nova) crise de 2019

Segundo o portal Superinteressante, desde 2015, cerca de 3 milhões de pessoas deixaram a Venezuela, o que representa um em cada dez habitantes. Metade imigrou para Colômbia e Peru.

O Brasil recebeu cerca de 85 mil pessoas, isso porque possui o centro econômico longe da fronteira com a Venezuela e fala outro idioma. Dessas pessoas, cerca de 30% possuem curso superior, mas saíram do país sem nada.

De acordo com a ONU, a tendência é que o número de refugiados chegue a 5,3 milhões até o fim de 2019, representando 20% da população do país.

Confrontos, crise diplomática e ação do exército. Essas palavras resumem o que a Venezuela está passando. E não apenas o país com dois presidentes, mas até seus vizinhos, como Brasil e Colômbia estão sofrendo as consequências.

No dia 21 de fevereiro Nicolás Maduro anunciou que iria fechar a fronteira terrestre com o Brasil e Colômbia. Desde então, a passagem de pedestres e veículos está proibida, mas algumas pessoas estão usando rotas clandestinas para cruzar os dois países.

A população venezuelana está, segundo o portal G1, sofrendo com escassez de remédios há quase cinco anos, e os alimentos só podem ser adquiridos a preços que a maioria das pessoas não consegue pagar.

Ainda segundo o G1, Maduro se recusa a aceitar remessas de alimentos básicos e remédios enviados pelos Estados Unidos a pedido de Guaidó. Algumas ajudas humanitárias que conseguiram passar pela fronteira, foram queimadas em solo venezuelano, como aconteceu com alguns caminhões.

De acordo com o portal da EBC, Maduro acredita que exista uma campanha para desestabilizar seu governo. Ele  disse que existe um “espetáculo mundial” para conseguir ajuda humanitária, e que estão utilizando as necessidades do país para chamar a atenção.

Ainda segundo a EBC, Maduro disse que a cada provocação, haverá uma resposta por parte da Venezuela.

Desde que a fronteira com o Brasil está fechada, 12 integrantes da Guarda Nacional Bolivariana desertaram, cruzaram o bloqueio e pediram refúgio em terras brasileiras.

Venezuela: população está passando necessidade, pois o país não possui suprimentos básicos
Açougue sem produtos na Venezuela. Foto: Marco Bello / Reuters

Como o Brasil entra nessa história?

Foi no dia 23 de janeiro, em Davos, na Suíça, que o presidente Jair Bolsonaro declarou apoio a Juan Guaidó e que reconhece o presidente da Assembleia Nacional como presidente da venezuela. Mas o problema começou um pouco antes disso.

Ainda em 2018, em dezembro, Maduro afirmou que o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, comanda a estratégia para derrubá-lo do governo da Venezuela, com apoio de Brasil e Colômbia.

Após uma semana dessa declaração, Nicolás Maduro chamou Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil, de louco e o desafiou a comandar o golpe de Estado que, segundo Nicolás, estaria sendo planejado para tirá-lo do poder.

Segundo o portal Exame, Nicolás Maduro disse: “Sim, Mourão, o golpe quem vai dar vai ser você, ouviu? Vou te esperar aqui com vários milhões de homens e mulheres, além de uma Força Armada Nacional disposta a defender a Constituição, a independência a qualquer custo. Te espero aqui, Mourão. Venha você mesmo. Te convido a vir você mesmo, Mourão”.

Hamilton Mourão disse, respondendo Maduro, que descarta uma intervenção militar na Venezuela por considerar que “interferir em assuntos internos de outros países não faz parte da tradição diplomática do Brasil”.

Já em janeiro de 2019, Maduro chamou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de “Hitler dos tempos modernos” e ironizou o apoio que o presidente recebe e recebeu durante as eleições de grupos evangélicos do Brasil. “Bolsonaro é um Hitler dos tempos modernos. O que não tem é coragem e decisão próprias, porque é um fantoche destes grupos (evangélicos). Bolsonaro saiu de uma seita”, disse.

Venezuela: Fronteira com o Brasil está fechada, sem previsão de abertura
General brasileiro tenta impedir conflito na fronteira. Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Segundo o portal Exame, ainda em janeiro e com Jair Bolsonaro em Davos, na Suíça, quando só a ponta do iceberg chamado Venezuela, estava aparecendo, o presidente do Brasil declarou que estaria preocupado com a possibilidade de haver resistência por parte de Maduro em deixar o governo do país.

Bolsonaro disse: “Todos nós conhecemos um pouquinho Nicolás Maduro. Esperamos o pior. Há uma preocupação, sim”, disse o presidente em declaração ao jornal O Estado de S. Paulo.

Jair Bolsonaro ainda completa: “Mas achamos que Guaidó não receberá qualquer tipo de retaliação de Maduro, até porque o mundo está de olho nisso e os EUA também reconheceram”, completou o presidente.

Em entrevista ao “Jornal das Dez” da GloboNews, na noite de quarta-feira (27), Hamilton Mourão afirmou que uma guerra civil na Venezuela é um “cenário possível”, diante da manutenção do regime de Nicolás Maduro no poder.

Há muitas especulações sobre uma guerra entre Venezuela e o Brasil, e diversos portais de notícias já levantaram todo o arsenal que ambos os países possuem. Mas a Venezuela está preocupada mesmo é com a Colômbia, já que ela é aliada dos Estados Unidos.

Donald Trump, presidente dos EUA, já declarou que uma das opções para tentar solucionar a crise é enviar uma tropa de cinco mil militares para a Colômbia, e aproveitando a barreira com feita pelo exército venezuelano na fronteira, seria essa a primeira chance de um confronto armado.

 

A briga pela ajuda humanitária

A economia venezuelana está péssima e a inflação, segundo o G1, em 2019 pode chegar a 10.000.000%. Além disso, a população sofre com a falta de alimentos, remédios e itens de higiene.  

Após se autoproclamar presidente, Juan Guaidó disse que solicitou “coalizão mundial por ajuda humanitária e liberdade na Venezuela”. Dando poucos detalhes, ele apenas disse que os carregamentos possuíam alimentos e remédios para a população.

Um dos motivos para essa escassez foi o foco no petróleo, ou seja, o país se concentrou tanto na produção de petróleo que não investiu em agricultura nem indústria. Em alguns pontos, nem investiram na indústria petrolífera, o que levou à queda da produção de barris.

As empresas privadas tiveram que substituir a produção pelas importações mais baratas. O governo ainda adotou uma política de controle de preços, segurando “artificialmente” a inflação, o que afundou ainda mais a indústria local.

Com isso, o país passou a depender mais de importações, de alimentos, medicamentos, pneus e até peças para o metrô.

De um tempo para cá, o país já começava a enfrentar uma grave crise e o dinheiro para a importação foi diminuindo, logo os produtos no país também.

Um dos fatores que está aumentando a disputa entre Guaidón e Maduro é a ajuda humanitária. O primeiro é a favor, o segundo contra.

Maduro é contra a ajuda humanitária, pois ele acredita que a ação seria uma desculpa para uma invasão militar à Venezuela, seguido de um golpe para tirar Maduro do poder, sendo que ele acusou os EUA, Brasil e Colômbia de estarem fazendo um “complô” contra ele e seu governo.

Venezuela: moradores do país cruzam a fronteira para garantir materiais básicos para viver
Venezuelanos cruzam a fronteira entre o país e o Brasil. Foto: Jackson Félix / G1

Ajuda humanitária anunciada, Maduro fechou a fronteira com o Brasil, na quinta-feira (21), justamente onde seria o ponto de coleta dos carregamentos de produtos enviados à população venezuelana.

O Brasil aceitou enviar ajuda humanitária e isso, segundo o jornal Folha de São Paulo, rachou os militares da cúpula de Jair Bolsonaro.

Contra a ajuda está o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo. Ele afirma que o governo deve evitar o envolvimento do Brasil. O general Augusto Heleno ficou dividido, mas também é contra.

O ministro da Defesa do Brasil, general Fernando Azevedo e Silva, afirmou em entrevista ao Estado, que o Brasil descarta a possibilidade de entrar em terras venezuelanas para realizar ações humanitárias.

Já sobre intervenção, o ministro disse que não há um posicionamento sobre intervenção militar na Venezuela.

Nicolás Maduro fez um discurso com uma mensagem direta para o Brasil: “Nós estamos dispostos, como sempre estivemos, a comprar todo o arroz, todo o açúcar, todo o leite em pó, toda a carne que nos venderem do estado de Roraima, de Boa Vista, aos empresários, produtores e governadores de Roraima. Pagando certinho”.

Venezuela: País enfrenta manifestações, mortes e pessoas feridas
Caminhão com ajuda humanitária é incendiado entre Colômbia e Venezuela. Foto: Marco Bello / Reuters

Como foi o encontro de Bolsonaro e Guaidó?

Na quinta-feira, 28 de fevereiro, Juan Guaidó se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, para um pronunciamento, após terem se reunidos na tarde do mesmo dia.

Bolsonaro aformou que o Brasil não vai medir esforços, claro que dentro da legalidade da Constituição e tradição do país. “Todos nós sabemos que isso será possível através, não apenas de eleições, mas de eleições limpas e confiáveis“, afirmou o presidente brasileiro.

Pouco antes da fala de Bolsonaro, Guaidó também fez um pronunciamento, no qual afirmou que a “luta” dele por democracia e liberdade na Venezuela é constitucional.

O presidente autodeclarado também disse que o encontro desta quinta no Planalto marca um “novo começo” na relação entre Brasil e Venezuela.

Mas o encontro não agradou os militares que compõe o governo de Bolsonaro. Para eles, o encontro de Bolsonaro com Guaidó deveria ter sido um evento discreto, como tinha sido planejado anteriormente, acontecendo no Palácio do Itamaraty. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o presidente mudou o plano da visita, passando as atividades com Guaidó para o Planalto.

Para os militares que fazem parte do governo, o encontro deveria ser discreto, tendo em vista a situação delicada entre Brasil e Venezuela. O receio dos integrantes é de que a recepção calorosa possa parecer uma afronta a Nicolás Maduro, o que pode prejudicar a atuação do governo brasileiro para apaziguar a situação entre os países.

Segundo a Folha de S. Paulo, o recomendável, em tempos de conflito, seria Bolsonaro manter silêncio e não aparecer publicamente ao ao lado de Guaidó.

Venezuela: Jair Bolsonado e Juan Guaidó se encontraram em Brasília
Foto: Foto: Marcos Corrêa/PR
Por: Ana Clara Turchetti