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15 livros brasileiros que você precisa ler e conhecer

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A cultura do país contada nas páginas de livros

Você já parou para pensar que pode, através de páginas de livros, entender, conhecer e se encantar pela história de um país? Virar a página e encontrar uma história nova, um personagem encantador e até levar essas narrativas para outras pessoas. É bom, né?!

Para conhecer a história da literatura do Brasil e um pouco de sua história, separamos algumas obras que você precisa ler o mais rápido possível.Livros Brasileiros - Conheça 15 títulos famosos brasileiros

15 Livros brasileiros que você precisa ler e conhecer

 

Dom Casmurro – Machado de Assis

Publicado em 1899 e escrito por Machado de Assis, o livro é um clássico brasileiro. A história entre Capitu, Bento Santiago, ou Bentinho, e Escobar se torna famosa e intrigante por um motivo: Capitu traiu Bentinho?

O livro é narrado em primeira pessoa e por isso, conhecemos a história a partir da visão de Bentinho, então não sabemos até que ponto era a força do pensamento ou se aquilo realmente aconteceu. O narrador tem a intenção de atar duas pontas da vida, lembrar e reviver o seu passado, por isso ele começa a história quando ele ainda é jovem.

Uma das características mais conhecidas do livro é a frase que identifica Capitu, que possui olhos de cigana oblíqua e dissimulada ou os famosos olhos de ressaca.

Livros Brasileiros - Leia Dom Casmurro de Machado de Assis
Dom Casmurro

 

O Cortiço – Aluísio Azevedo

O livro, escrito por Aluísio Azevedo e publicado em 1890, é um romance pertencente ao movimento naturalista, que considera que o indivíduo é produto da hereditariedade e seu comportamento é fruto do meio em que vive e sobre o qual age.

O Cortiço retrata o cotidiano do cortiço São Romão, contando o cotidiano dos moradores e a luta para sobreviver, enquanto João Romão, o proprietário e imigrante português, está disposto a fazer tudo para enriquecer e subir na vida.

O livro retrata o Rio de Janeiro sede do império que, aos poucos, se torna uma cidade modernizada e mostra o crescimento urbano, o nascimento de uma nova burguesia que convivia, lado a lado, com a pobreza (representado pelo dono do cortiço e os moradores).

Livros Brasileiros - O Cortiço de Aluísio Azevedo
O Cortiço

 

Reinações de Narizinho – Monteiro Lobato

Monteiro Lobato é, sem dúvidas, um dos autores brasileiros que não falta nas bibliotecas das escolas nem na sessão infantil das livrarias.

Além do autor ser um clássico, muitas pessoas o conhecem devido ao programa “Sítio do Picapau Amarelo” e pelos personagens. Mas sabiam que há um livro que ficou guardado na memória de muitas pessoas, gerando o programa?

No livro Reinações de Narizinho, há várias histórias curtas, que foram publicadas individualmente em formato de capítulos, depois foram agregadas. Há histórias originais de Monteiro Lobato e outras baseadas no folclore brasileiro. Somos apresentados a Emília, Pedrinho e Narizinho, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Tia Nastácia, Marquês de Rabicó, entre outros personagens.

A obra de Monteiro Lobato se destacou na literatura infantil e ficou conhecida como a melhor obra do autor, tornando-o um dos mais importantes na literatura infantil brasileira. Além disso, Monteiro Lobato possuía fortes relações com a linguagem, realidade social e política de vigorava.

Livros Brasileiros - Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato
Reinações de Narizinho

 

Holocausto Brasileiro – Daniela Arbex

Escrita por Daniela Arbex, jornalista juiz-forana, a obra Holocausto Brasileiro retrata a história de dor que a cidade mineira de Barbacena viveu por, aproximadamente, oito décadas.

O Hospital Colônia foi um hospício, criado em 1903, que abrigou pessoas de diversas partes do Brasil. O Hospital foi responsável pela morte de 60 mil brasileiros, que eram tratados de forma desumana.

Daniela Arbex apresenta o que aconteceu durante esses anos de dor, conta a história das pessoas que conseguiram sobreviver e narra como surgiram leis para manicômios.

No Colônia, milhares de pessoas foram internadas à força, sem diagnóstico de doença mental. Foram torturados, violentados, passavam fome e frio.

Holocausto Brasileiro é uma obra que dói, que vale a pena ler para entender e conhecer uma história que muitas pessoas ainda não conhecem.

Livros Brasileiros - Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex
Holocausto Brasileiro

 

Macunaíma – Mário de Andrade 

Escrito por Mário de Andrade e publicado em 1928, Macunaíma é considerado um dos principais romances modernistas. A obra conta características clássicas sobre a formação do Brasil, cruzando vários elementos nacionais.

Macunaíma nasceu no fundo do mato-virgem, sendo uma criança birrenta e ardilosa. Passa a infância em uma tribo amazônica até que toma banho de uma mandioca brava e se torna adulto. Se apaixona por Ci, a Mãe do Mato, com quem tem um filho, que morre ainda pequeno.

Ci, por desgosto, também morre e vira uma estrela. Macunaíma fica triste por perder sua amada, tendo como única recordação um amuleto chamado muiraquitã. Mas o protagonista perde o objeto e descobre que está em São Paulo. Para recuperar o amuleto, ele parte para a outra cidade com seus dois irmão.

Livros Brasileiros - Macunaíma de Mário de Andrade 
Macunaíma

 

Cidade de Deus – Paulo Lins

Você deve conhecer essa história, afinal o livro baseou o filme homônimo. Escrito por Paulo Lins entre 1986 a 1993, a obra conta histórias sobre o cotidiano dos moradores da Cidade de Deus, tudo baseado em fatos reais.

O livro é dividido em três partes, mostrando as transformações que a Cidade de Deus passou, desde a sua criação até a a data em que o livro é finalizado, iniciando nos pequenos assaltos até a violência causada pelo tráfico de drogas.

Paulo Lins inicia a obra abordando a formação da Cidade de Deus e o combate à violência, com um trabalho efetivo da polícia. Na segunda parte do livro, o autor aborda o crescimento do tráfico de drogas e a busca pelo comando da comunidade. Além disso, Paulo também retrata a corrupção do sistema carcerário e dos policiais.

Já a terceira fase é marcada pelo panorama de guerra que surge no local, com as intermináveis mortes, as sucessões que o comando do tráfico apresenta, a corrupção da polícia e as chacinas.

Livros brasileiros - Cidade de Deus de Paulo Lins
Cidade de Deus

 

Depois Daquela Viagem – Valéria Pollizi

Com 16 anos, Valéria tem a primeira relação sexual de sua vida e com seu namorado. Em uma relação abusiva, Valéria termina o namoro e segue sua vida. Prestou vestibular, foi aprovada e começou a faculdade. Com a vida estabilizada, ela descobriu que foi infectada pelo vírus HIV.

Valéria Piassa Pollizi escreve o livro como se fosse um diário, fazendo-nos seus maiores amigos. Passando por como ela descobriu o vírus, como foi aprender a lidar com ele, o preconceito e o medo que ela passou.

Ela descobre, junto com os leitores, como é viver com o vírus HIV, como contar para as pessoas e até a relação que teve que desenvolver com os remédios.

Depois Daquela Viagem é um livro para rir, se emocionar e entender a vida das pessoas que convivem com o HIV.

Livros brasileiros - Depois Daquela Viagem de Valéria Pollizi
Depois Daquela Viagem

 

Morte e Vida Severina – João Cabra de Melo Neto

Escrito por João Cabra de Melo Neto, entre 1954 a 1955, Morte e Vida Severina possui uma temática regionalista.

A obra conta a trajetória de Severino, que sai do sertão nordestino para o litoral, em busca de melhores condições de vida. Pelo caminho, o personagem encontra outras pessoas que compartilhavam da mesma dor.

Com palavras e atos nada sutis, o autor constrói uma história difícil com diversas mortes pelo caminho e descobre que a própria morte é a empregadora do grande sertão, beneficiando o médico, coveiro, rezadeira e farmacêutico.

Com uma linguagem poética, concisa e engajada, o autor busca mais o concreto e o visual do que os sentimentos.

Livros brasileiros - Morte e Vida Severina de João Cabra de Melo Neto
Morte e Vida Severina

 

A Vida que Ninguém Vê – Eliane Brum

Eliane Brum é jornalista e possui uma linguagem que encanta e cativa. Suave e agressiva ao mesmo tempo, ela busca os acontecimentos que não viram notícia e procura pessoas que não são celebridades.

Ela entra de forma delicada na vida de cada um, como o mendigo que nunca pediu, o carregador de malas do aeroporto que nunca voou e um homem que comia vidro, mas só se machucava com a invisibilidade.

As histórias fizeram sucesso nos anos 90, como crônicas-reportagens que Eliane escrevia para o jornal Zero Hora. O material foi agrupado e Eliane Brum lançou “A Vida que Ninguém Vê” em 2006.

Acredita-se que a leitura é uma das consideradas obrigatórias para jornalistas e claro, para quem adora histórias. Com A Vida que Ninguém Vê, aprendemos olhar com mais atenção para as pessoas que cruzam nossos caminhos, que passam despercebidas, mas apresentam muito significado.

Livros brasileiros - Livros brasileiros - A Vida que Ninguém Vê de Eliane Brum
A Vida que Ninguém Vê

 

Capitães da Areia – Jorge Amado

A obra “Capitães da Areia” foi publicada em 1937 pelo escritor brasileiro Jorge Amado. O livro, que está inserido na segunda fase do modernismo (quando a literatura foca nas questões sociais) retrata a vida de um grupo de crianças abandonadas. Para sobreviveram na cidade de Salvador, elas lutam e cometem roubos. A obra se inicia com uma série de reportagens ilustrativas apenas para apresentar os meninos e o grupo.

O grupo de crianças se chama “Capitães da Areia” e é liderado por Pedro Bala, filho de um grevista morto, foi parar nas ruas aos cinco anos de idade. Os meninos ocupava um armazém abandonado, formado por mais de 50 crianças, que foram unidas pelos mais diversos motivos: ficaram órfãs, foram abandonadas ou fugiram dos maus tratos e abusos que recebiam.

Além dos pequenos furtos, os Capitães também praticavam roubos maiores, tornando-os conhecidos, temidos e procurados pela polícia. Se fossem pegos, seriam enviados para um reformatório, visto como um local para regenerar a criança, com trabalho, ótima comida e lazer. Mas essa não era opção para o grupo, pois lá eles estariam sujeitos a todo tipo de castigo, então preferiam as ruas.

Livros de brasileiros - Capitães da Areia de Jorge Amado
Capitães da Areia

 

O Auto da Compadecida – Ariano Suassuna

Ariano Suassuna, em 1955, escrevia o “Auto da Compadecida”, uma peça teatral que unificou a tradição do teatro medieval português com o contexto e história do nordeste brasileiro.

A obra gira em torno de João Grilho, uma figura que representa os pobres oprimidos, homem do povo e o nordestino que tenta viver no sertão de forma imaginosa. Por ser tão criativo e injustiçado, ele arruma confusões com o padeiro, o cangaceiro, o padre. Todos eles, incluindo João, são julgados por Jesus, Nossa Senhora e o Diabo.

Ariano retrata a forte cultura religiosa que há no Nordeste, destacando a diferença entre bem x mal, dividindo o mundo em céu e inferno.

A obra, por ser um auto, já foi produzida para o teatro, minissérie e cinema. É uma história para dar risadas e, ao mesmo tempo, sentir pena dos personagens.

Livros brasileiros - O Auto da Compadecida de Ariano Suassuna
O Auto da Compadecida

 

Vidas Secas – Graciliano Ramos

Graciliano Ramos, escritor moderno, publicou Vidas Secas em 1938, sendo considerada uma das mais emblemáticas do autor.

Mais uma história que se passa no sertão brasileiro e retrata a vida de uma família de retirantes, ao mesmo tempo em que explora a miséria e a seca do Nordeste. Os personagens estão fugindo da miséria e da seca, buscando uma vida melhor em um local mais hospitaleiro.

Fabiano e Sinhá Vitória é um simples casal que possuem dois filhos: o mais novo e o mais velho. As crianças, do começo ao fim da obra, não possuem nomes.

Já Baleia, a cadela da família, faz referência a um animal aquático, em contraste com a seca. Ela é muito querida pelos meninos e tratada como um membro da família.

Graciliano possui um estilo seco e evita usar adjetivos, tentando transmitir para o leitor a aridez do ambiente e seus efeitos sobre os personagens.

Livros brasileiros - Vidas Secas de Graciliano Ramos
Vidas Secas

 

Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa

A obra é considerada uma das mais importantes da literatura brasileira, sendo elogiada pela linguagem e originalidade de estilo. Guimarães Rosa juntou elementos linguísticos da primeira fase do modernismo e a temática regionalista da segunda fase.

“Grande Sertão: Veredas” foi traduzida para muitas línguas e recebeu diversos prêmios, destacando o Prêmio Machado de Assis, em 1961.

Publicada em 1956, chama atenção pelo tamanho, cerca de 600 páginas e por não ter capítulos e sim dois volumes.

Com uma linguagem simples, regionalista e original, a história se passa em Goiás e nos Sertões de Minas de Gerais e Bahia, contando as aventuras do ex-jagunço Riobaldo e de seu grande amor: Diadorim.

Riobaldo narra a história, contanto seus medos, amores, traições e cotidiano. Ele faz uma autorreflexão sobre sua vida além dos acontecimentos, a paisagem do sertão e um doutor que recentemente chegou na fazenda.

Livros brasileiros - Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa
Grande Sertão: Veredas

 

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Machado de Assis, no século 19, constrói o livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, onde o menino pertencia a sociedade patriarcal, cheio de privilégios e caprichos que eram dados a ele pelos pais.

Brás Cubas tinha como “brinquedo” de estimação Prudêncio, um jovem negro, que era usado para maus-tratos e montaria. Na escola, era amigo de Quincas Borbas e gastava muito dinheiro com Marcela, uma prostituta de luxo. Mas Machado de Assis não deixa claro, em momento algum, que Marcela só estava interessada em presentes caros que ganhava, e sim que ela amou Brás. E usar figuras de linguagem é uma característica clássica do autor.

O pai de Brás Cubas, para evitar que o filho gastasse todo o dinheiro com Marcela, enviou o filho para estudar na Europa. Sem aptidão para o trabalho, o rapaz retorna para o Brasil e se apaixona por Virgília. Ela era parente de um ministro da corte, e Brás, segundo conselhos do pai, observava no casamento um futuro político. Mas a moça se casa com outro, tirando a candidatura do protagonista a deputado.

Livros brasileiros - Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas

 

Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

O “Triste Fim de Policarpo Quaresma” é uma obra de Lima Barreto, escritor pré-modernista, sendo considerado um clássico da literatura do Brasil na época, em 1915.

A obra relata a história de Policarpo Quaresma, um funcionário público que deseja valorizar a cultura do país, pois é um personagem nacionalista forte. Uma de suas ações é propor ao Ministério o reconhecimento da língua tupi como dialeto nacional, já que ele afirma que os índios são os verdadeiros brasileiros.

Após isso, ele é internado por ser considerado louco. As únicas pessoas a visitá-lo são Olga, seu compadre e o professor de violão, Ricardo Coração dos Outros. Quando Policarpo sai do hospital psiquiátrico, ele se afasta da sociedade para viver em um sítio afastado. Lá ele faz amizades com pessoas da região, e encontra no presidente, alguém cruel.

Livros brasileiros - Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto
Triste fim de Policarpo Quaresma
Por: Ombrelo