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OSCAR: Como funciona a cerimônia mais importante do cinema

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E o Oscar vai para…

Em fevereiro, mais precisamente dia 24, vai ser realizada a 91ª edição da cerimônia mais importante do cinema: o Oscar!

O prêmio é o mais conhecido e cobiçado do cinema. É oferecido anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Academy of Motion Picture Arts and Sciences ou AMPAS) e homenageia os destaques do cinema do ano anterior.OSCAR - Saiba como funciona a maior cerimônia do cinema

Como funciona o Oscar? Descubra o passo a passo do prêmio mais importante do cinema

 

Desde 1929, diversos atores da indústria cinematográfica se reúnem em Hollywood, mais precisamente no Dolby Theatre de Los Angeles, na Califórnia. A ideia da criação do prêmio veio de Louis B. Mayer, chefe do estúdio Metro-Goldwyn-Mayer (MGM).

 

Academia de Artes e Ciências Cinematográficas

A AMPAS é a organização responsável por estudar e promover a indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Ela também representa os trabalhadores do setor nos sindicatos. A Academia foi criada em 1927 pelo produtor Louis B. Meyer. 

A Academia representa 14 entidades filiadas da indústria, desde atores e diretores até produtores e escritores. São considerados membros os profissionais que se diferenciam pelo seu trabalho no cenário cinematográfico.

 

Os integrantes da Academia

Para participar desse seleto grupo, é preciso ser convidado por um membro já votante ou ter sido indicado ao Oscar. A pessoa passa por uma aprovação do Comitê de Governadores, grupo que lidera e gerencia a AMPAS. Os profissionais só podem se tornar membros especialistas das áreas em que trabalham.

Não é revelado ao público quem faz parte da Academia, mas o colegiado já passou por diversas transformações ao longo dos anos.

Para a premiação que ocorreu em 2018, a própria AMPAS divulgou uma lista de 774 artistas e profissionais convidados, de 57 países. No meio, estavam nomes de alguns brasileiros, como os diretores de fotografia Affonso Beato, Heloísa Passos e Walter Carvalho; os diretores Cacá Diegues, Karim Aïnouz, Kléber Mendonça Filho e Nelson Pereira dos Santos; o ator Rodrigo Santoro, a editora de som Miriam Biderman e o roteirista Mauricio Zacharia.

Em 2013, foram convidados os também brasileiros Eduardo Coutinho e José Padilha. Segundo o Estadão, em 2013, os brasucas Walter Salles, Fernando Meirelles, Fernanda Montenegro e Sônia Braga também faziam parte.

Acredita-se que cerca de 8 mil pessoas integram a Academia.

 

O que precisa para concorrer?

Para o filme entrar na disputa, ele deve ser de longa-metragem, com duração acima de 40 minutos. Deve ser exibido publicamente em um sala comercial de cinema de Los Angeles e permanecer em cartaz por, pelo menos, sete dias consecutivos. A estreia deve acontecer entre os dias 1ª de janeiro e antes da meia-noite de 31 de dezembro do ano anterior ao da cerimônia.

 

Número de candidatos por categoria

As categorias possuem, no máximo, cinco candidatos, excerto melhor filme, que desde 2012, a regra permite que sejam indicados de cinco a dez longas-metragens.

 

Esquema de segurança para os envelopes

Na primeira edição, os ganhadores do troféu iam para a festa sabendo quem tinha ganhado em cada categoria. Mas depois a Academia passou a divulgar os vencedores somente para a imprensa, para poder estampar os jornais na manhã seguinte. Mas tudo que é bom dura pouco.

Em uma edição, o Los Angeles Times publicou a lista de vencedores antes da premiação, estragando toda a surpresa. Foi então, a partir de 1941, que os envelopes começaram a ser abertos apenas na cerimônia da entrega da estatueta. Atualmente, inclusive, há todo um sistema de segurança com os envelopes para evitar vazamentos.

Os envelopes chegam ao teatro escoltados por policiais e passam até por rotas secretas. A Academia ainda faz com que dois auditores, que participaram da contagem de votos, decorem toda a lista de ganhadores.

 

Votação

Para indicação

Os membros da Academia são responsabilizados por indicarem as melhores produções em suas categorias e todos os integrantes possuem direito a votarem no melhor filme.

Os integrantes enviam uma lista com seus escolhidos, em ordem de preferência. Na primeira parte da contagem, são levados em conta apenas os primeiros votos e é estabelecido um número mínimo para que a produção entre para a lista final dos indicados. Esse número é a divisão do total de membros pela quantidade de filmes que podem ser indicados.

Os votos que forem para os longas com menos de 1% das escolhas são desconsiderados, e as segundas escolhas são contabilizadas. Caso todas as vagas não tenham sido preenchidas, os votos do filme menos preferido também são anulados e os votos vão para a segunda escolha das cédulas.

 

Para eleger os ganhadores

Os membros da Academia podem votar em todas as categorias, não apenas as que representam. A produção vencedora é aquela com o maior número absoluto de votos. Mas para eleger o Melhor Filme, ele tem que contar com 50% dos votos totais mais um (50% + 1). Ao final da contagem de todas as primeiras escolhas, se nenhum longa atingir a marca, o menos votado é desconsiderado e são levadas em consideração as segundas escolhas de cada cédula.

O processo pode se repetir até que algum deles ultrapasse o limite e o vencedor seja escolhido.

 

Confira essa explicação de um jeito mais simples e divertido:

 

Quanto custa para uma produção levar a estatueta para casa?

Segundo uma análise da Giffgaff Gameplan, divulgada pela Forbes, as produções investem em média US$ 81,7 milhões para conquistar o prêmio.

A pesquisa notou que, nos últimos cinco anos, o Oscar de melhor filme foi para uma produção com orçamento próximo a US$ 20 milhões, exceto Moonlight, ganhador do troféu em 2017, que custou apenas US$ 4 milhões. Já o filme A Forma da Água, ganhador da estatueta de Melhor Filme em 2018, foi avaliado em US$ 19,4 milhões.

Para chegarem nesse valor, foram analisados os vencedores de 19 categorias da premiação desde o ano 2000. O valor mais alto no investimento é destinado aos efeitos visuais que gasta, em média, US$ 175 milhões. Para o prêmio de melhor atriz o investimento é de US$ 26 milhões.

Com base nos últimos 18 anos, os filmes premiados investiram cerca de US$ 46 milhões para se tornarem o melhor na categoria.

 

Os custos além da tela

De acordo com Pablo Villaça, os custos vão além do investimento na produção em si. Em seu site Cinema em Cena, Pablo conta que os estúdios enviam cópias dos filmes para todos que votam em alguma premiação e com isso, os gastos chegam a US$ 850 mil dólares por filme.

Ele também destaca que há exibições das produções acompanhadas por recepção, tanto em Los Angeles como em Nova Iorque, onde se concentra grande parte da Academia.

Além da projeção do filme, há jantares luxuosos durante os quais o elenco e os membros mais importantes da equipe confraternizam com os convidados.

Pablo conta que, quando o longa O Discurso do Rei concorreu, o diretor Tom Hooper, se mudou da Inglaterra para Los Angeles, morando por três meses na cidade, participando de festas, recepções, projeções especiais e outros eventos. Resultado: a produção ganhou a estatueta de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original.

Uma outra estratégia muito utilizada, segundo Pablo, é fazer “homenagens” a determinados integrantes do elenco. Nos últimos anos, a Academia proibiu eventos de campanha com comidas e bebidas durante a segunda fase de votação, que determina quem vai levar o prêmio máximo.

O estúdio promove uma festa para celebrar a carreira de um ator e convida metade de Los Angeles, o que garante a presença de muitos membros da Academia. Na teoria, estão homenageando um ator, mas na prática estão estimulando um voto no ator ou no filme.

Segundo Pablo, a estimativa é de que os estúdios gastem em média US$ 3 milhões apenas na primeira fase da campanha, e que até a fase final pode chegar a US$ 10 milhões ou mais.

 

Mais investimentos, mais prêmios e mais bilheteria

Pablo Villaça destaca que o investimento em eventos e ações pré-cerimônia do Oscar pode resultar em mais prêmios, e com isso, mais bilheteria. Ele cita como exemplo o filme Spotlight, vencedor na categoria de Melhor Filme em 2016. A produção teve um aumento de 140% na venda de ingressos nos Estados Unidos e outros 100% no restante do planeta.

Villaça também afirma que um estúdio pode investir na campanha por um ator específico para fortalecer as relações e garantir sua participação em projetos futuros.

Curiosidades

“Contrato” com os vencedores

Não pense que não há burocracia para receber o prêmio. Os vencedores do Oscar precisam assinar um termo para levar o troféu para casa. Com isso, eles se comprometem a nunca vender a estatueta sem antes oferecê-la de volta a Academia por apenas um dólar. Se um artista perder o prêmio, ele pode ganhar uma nova estatueta.

O troféu é feito de um metal chamado birtannia, segundo a Glamour, e pesa 3,6 quilos.

 

O nome não é Oscar

O nome real da premiação é “Academy Award of Merit” (Prêmio ao Mérito da Academia) ou apenas “Academy Award”. Há diversas versões para o apelido carinhoso “Oscar”, uma delas é que uma funcionária da Academia disse que a estatueta parecia com seu tio, que se chamava Oscar.

Uma outra teoria diz respeito há uma homenagem ao colunista Sidney Skolsky, que foi o primeiro a usar o termo na imprensa, em 1934.

Já uma terceira versão é defendida pela atriz Bette Davis, que afirma que o apelido começou quando ela disse que o troféu lembrava seu marido, o trompetista Harmon Oscar Nelson.

 

Sem convite não entra

As limusines deixam os famosos na “porta” do Red Carpet, que nada mais é que 150 metros de tecido estendido, sem nenhuma dobra. Aliás, o tapete é passado a ferro nos dias anteriores. Após cruzarem os 150 metros, após darem entrevistas, os famosos mostram os convites em uma tenda e sério, se não tem convite não entra.

 

Dança das Cadeiras

Todos os lugares são pensados! Há um esquema para distribuir os assentos, onde os mais cotados como vencedores sentam perto do corredor. Os indicados das mesmas categorias ficam distantes um do outro, para não ter aquela cara de decepção de um e de alegria de outro.

A produção também possui a delicadeza de colocar os ex-casais bem longe um do outro, para não rolar climão.

E repare: não há lugares vazios no Oscar. Sempre que alguém vai até o palco pegar sua estatueta, outra pessoa toma seu assento. E não é por acaso. Há profissionais contratados para sentar na cadeira enquanto ela está vazia, isso porque a Academia não permite buracos na tela.

 

Seja claro e objetivo

Os discursos de agradecimento não podem passar de 45 segundos e isso acontece desde 2010. Dizem que há um cronômetro para o vencedor acompanhar e se ultrapassar o tempo, ele é interrompido por uma música e seu microfone é cortado.

Em 2013, a Academia brincou ao usar o temível tema de Tubarão.

 

Muita comida após o Oscar

Após a cerimônia, as celebridades são convidadas a participar de um jantar promovido pela Academia e, segundo a Glamour, é organizado pelo chef austríaco Wolfgang Puck. No menu, há opções para quem come carne, os vegetarianos, o raw food e de quem não pode com glúten.

Em 2017, o cardápio tinha pipoca com pó de ouro, cachorro quente de milho e lagosta, tacos com camarão e manga, filé Wagyu com tempero marroquino, batatas assadas com caviar, bife Kobe, gougeres com pó de trufas pretas, salmão defumado em formato de Oscar.

 

Oscar e a polêmica dos filmes medianos

Essa é uma teoria que circula há algum tempo. Acredita-se que os longas mais polêmicos, que desafiam o espectador, que fogem do comum possuem menos chances de levar a estatueta de Melhor Filme.

Segundo o jornalista Domingos Fraga, uma das grandes razões para isso vem da própria Academia. Lembra que explicamos como funciona a votação? Cada membro envia uma lista com todos os filmes, em ordem de preferência. A AMPAS explica que esse método é o melhor para assegurar que o filme com o maior apoio entre os membros se torne o vencedor. Já, de acordo com o jornalista, o ponto negativo é que os filmes ousados, que dividem, que saem do comum, são facilmente tirados da disputa.

O jornalista cita como exemplo os filmes indicados a premiação em 2018, “Corra!”, “Três Anúncios Para Um Crime” e “A Forma da Água”. Ele caracteriza os dois primeiros filmes como polarizadores e adorados por alguns membros, que os colocaram em primeira posição na lista. Outros membros já não gostaram, e deixaram os títulos para o fim da lista.

Como os filmes menos votados vão sendo eliminados, o número de votos dele não sobe. O filme mais agradável, que é “A Forma da Água”, de fantasia, romântico, com um toque musical, conquista as primeiras posições nas listas e vai subindo, até conquistar o número de votos necessários para ter o nome escrito no envelope.

E essa polêmica não tem relação com o filme ser bom ou não (se fosse ruim, nem estaria concorrendo), mas em ser ousado, dividir públicos e até quebrar o paradigma dos membros votantes da Academia.

Por: Ana Clara Turchetti