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Game of Thrones: descubra como a série impactou a vida real

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Alguns spoilers podem aparecer! 

Que Game of Thrones é um sucesso, não há como negar. A série está em sua oitava e última temporada, mas deixará um legado enorme para os fãs. O episódio ‘The Long Night”, do domingo, 28 de abril, marcando a Batalha de Winterfell cravou, segundo o The Wrap, 17,8 milhões de pessoas assistindo, incluindo os números das plataformas digitais do canal.Game of Thrones: descubra como a série impactou a vida real

Game of Thrones: descubra como a série impactou a vida real

 

Esse número marca um aumento de 12% em comparação com o domingo anterior, e bate o antigo recorde, que foi no episódio de estreia da temporada, com 17,4 milhões de espectadores.

Além disso, GoT impactou no turismo, na economia e até na procura pelos estudos medievais. Confira.

 

Estudos Medievais

Fã que é fã intromete a série favorita em toda oportunidade disponível. Muitos temas de trabalho de conclusão de curso citando GoT, análises e até disciplina. E foi isso que uma das faculdades mais renomadas do mundo fez. Em 2017, a Universidade de Harvard ofereceu um curso inspirado no seriado, segundo informações da revista Time.

O nome dado ao curso foi “The Real Game of Thrones: From Modern Myths to Medieval Models (O verdadeiro Game of Thrones: dos mitos modernos aos modelos medievais)”.

Lá, foram estudados como a série e os livros de George R.R. Martin que inspiraram a produção “ecoam e adaptam, assim como distorcem, a história e a cultura do ‘mundo medieval’ da Eurasia dos anos 400 a 1500” e exploraram “um grupo de personagens arquetípicos que estão no coração de Game of Thrones, com tipos análogos na história, literatura, religião e lenda medieval”, como diz a descrição do conteúdo entregue à revista.

A matéria foi ministrada pelos professores Sean Gilsdorf, especialista em história medieval, e Racha Kirakosian, que dá aula de alemão e estudos religiosos.

 

Turismo

Um dos locais mais visitados pelos fãs de Game of Thrones é Dubrovnik, na Croácia, cenário de “King’s Landing”. A cidade de pouco menos de 44 mil habitantes já era um ímã de turistas, mas após a aparição no seriado, se viu invadida por fãs que querem conhecer a realidade e, às vezes, reproduzir algumas cenas nos locais marcantes.

É nessa cidade que foi filmada a famosa cena da “caminhada da vergonha”, protagonizada por Cersei. Alguns comerciantes contam que os turistas chegam no alto da Escadaria dos Jesuítas e gritam “Shame! Shame”, reproduzindo a cena.

O escritório de turismo do país afirma que não consegue quantificar o impacto da série, mas segundo um estudo do Instituto de Economia, entre 2012 e 2015, a cidade recebeu 244 mil turistas extras, que gastaram 141 milhões de dólares.

E como a maioria das cidades “históricas”, bebidas e alimentação costumam ser caros, então um morador aconselha: “Beba água da fonte medieval. É a única coisa gratuita”, diz. Isso porque, segundo o jornal O Globo, uma loja vende abridores de garrafa temáticos por 40 euros, camisetas por 34, taças por 80, uma jarra de cerveja por 100.

O aumento no número de turistas levou a Unesco a tomar uma providência. Segundo a BBC, o alerta foi em 2016, após inspeção da organização no centro do local, chamado de “Cidade Velha”. A Unesco detectou que a expansão do número de visitantes, especialmente aqueles vindos em cruzeiros, gerava riscos para a conservação de monumentos e cobrou medidas da Prefeitura.

Em janeiro de 2017, o então prefeito da cidade anunciou que foram instaladas câmeras para monitorar a entrada e saída de visitantes da Cidade Velha e estabelecido um limite máximo de 8 mil pessoas presentes simultaneamente.

A Islândia se juntou aos cenários de GoT na segunda temporada e desde então o país percebeu o aumento no número dos turistas. A população do país não passa de 350 mil habitantes, mas apenas em 2018 o número de turistas chegou aos 2,3 milhões, segundo o portal Shiffer.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, em 2014, houve aumento de 40% no número de turistas que visitaram o país, comparando os meses de janeiro de 2014 a janeiro de 2013.

Segundo o El País, o turismo se transformou em uma das principais fontes de renda da Islândia, com um aumento de visitantes que passou dos 566 mil em 2011 (ano em que GoT começou), até mais de 1,3 milhão em 2015 e mais de 1,8 milhão em 2016.

Entretanto, as agências de turismo não acreditam 100% que o seriado seja a fonte total dos viajantes, e sim a erupção do vulcão Eyjafjallajökull, em 2010.

Osuna, na Espanha, fica a 87 Km de Sevilha, recebeu a equipe de GoT, transformando a arena de tourada na arena de Meereen. Após 12 meses do episódio ir ao ar, a cidade registrou um aumento de 70% e no ano seguinte, mais de 35%. A cidade foi um dos locais mais procurados pelos seguidores da série em páginas da internet entre maio de 2013 e maio de 2015, segundo análise do site TripAdvisor.

Prédios públicos foram abertos para visitação, como o da universidade, de quatro séculos de existência, o museu abriga uma exposição permanente sobre Game of Thrones, com fotos e vídeos. Os restaurantes, lojas e hospedarias também pegaram carona no sucesso do seriado.

 

Economia

Graças aos livros que foram transformados em série de TV, a economia da Irlanda do Norte sofreu um boom nos últimos anos. Cerca de 170 milhões de dólares é a quantia aproximada que GoT levou para o país.

Além do turismo, cerca de 900 empregos em tempo integral e 5.700 em meio período foram criados por causa do programa. A série é responsável pelo aumento de empregos em hospedarias, catering (serviço similar a um buffet), restaurantes. Além de que muitas pessoas do país foram empregadas nos locais de gravação, como equipes de filmagem e assistentes de produção.

De acordo com o portal Wow Amazing, a Irlanda do Norte gastou cerca de 19 milhões de dólares em subsídios e incentivos para que o espetáculo fosse gravado no local.

Ainda segundo o site, a Northern Ireland Screen, uma agência do governo, investiu na indústria cinematográfica em potencial da Irlanda do Norte. Cerca de 22 milhões de dólares foi o valor destinado para construir estúdios em cinematográficos em Belfast. O site ainda diz que os moradores locais adoram os empregos aleatórios e bem pagos de Hollywood que podem ajudá-los a subsidiar suas rendas em épocas mais lentas.

 

Nomes

Segundo o portal Folha de S.Paulo, em 2017, Arya foi o 630º nome mais popular dado a meninas, segundo a Administração da Seguridade Social americana, passando à frente de Brittany ou Britney.

De acordo com o site IG, as estatísticas mostram que o nome “Arya”, tem aumentado constantemente ao longo dos anos, passando de 64, em 2011 (quando a série foi ao ar pela primeira vez), para 358, em 2018.

Em 2017, cerca de 2.156 bebês possuíam o nome de Arya nos Estados Unidos.

Já Khaleesi, um dos nomes pelos quais a personagem Daenerys Targaryen também é conhecida, ficou muito popular. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, em 2017, cerca de 84 meninas receberam esse nome no Reino Unido, número maior do que no ano anterior, quando 73 foram registradas. Desde que GoT estreou, 371 bebês receberam o nome, além das combinações, como Khaleesi-Destiny, Khaleesi-Grace e Khaleesi-Rosesborn.

Em 2017, também nasceram nos Estados Unidos 20 Sansas, 11 Cerseis, 55 Tyrions e 23 Theons.

Apesar de não ser um nome, mas sim uma palavra, Winter (inverno, em inglês), se tornou mais comum do que parece. Em 2012, aparecia em 769º na lista de nomes mais usados, já em 2017 passou para a 449ª posição.

Os donos de pets também estão se aderindo à tendencia, com cachorros e gatos sendo chamados de Jorah Mormont, Asha, Tyrion, Lady e Drogo.

 

Moda e beleza

A marca americana John Varvatos lançou, em março de 2019 nos Estados Unidos, uma linha de roupas e acessórios inspirados em GoT. As peças são voltadas para o público da série, com camisetas estampadas de dragões, casacos de couro, bolsa e moletom. Os preços variam entre R$ 370 a R$ 10 mil.Game of Thrones: descubra como a série impactou a vida real dos fãs

Além de Varvatos, as grifes Versace, Givenchy e Animale também já lançaram coleções inspiradas, mesmo que não declaradamente, nas mulheres de Game of Thrones.

Saindo do mundo das roupas, a marca brasileira Havaianas se inspirou na série do momento e lançou uma coleção de chinelos estampados de dragões e tronos.

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Ainda no mundo dos calçados, quem resolveu inovar foi a marca Adidas, lançando seis pares de tênis, de edição limitada, “inspirados pelas famílias nobres e facções guerreiras dos Sete Reinos e além do The Wall”, segundo comunicado online.

Além disso, a marca de maquiagem Urban Decay, famosa por seus produtos colecionáveis, não deixou os fãs da série que gostam de maquiagem desamparados e lançou, em abril de 2019, uma linha de produtos inspirada em GoT, chamada “For The Throne”.

Segundo a marca, a embalagem das sombras foi desenhada para lembrar um livro e tem até o lado lúdico do Trono de Ferro de dobradura.

Game of Thrones: descubra como a série impactou a vida real dos fãs

 

Publicidade e produtos

A marca Diageo, responsável pelo icônico Johnnhy Walker, lançou uma coleção de uísques, cada uma com um tema em uma das Casas de Westeros, assim como sua ordem militar, a Patrulha da Noite.Game of Thrones: descubra como a série impactou a vida real dos fãs

Outra marca de bebida, dessa vez a Mountain Dew, desmascarou, nos rótulos, a lista de mortes do personagem Arya Stark, mas só ficam visíveis quando refrigerados.

 

A marca Oreo, do clássico biscoito recheado, lançou uma coleção temática, após provocar os fãs, tanto da série, como do biscoito, com a frase: “Os cookies estão chegando”. Além disso, a marca simulou a abertura de GoT, feita apenas com biscoitos.

O famoso jogo Monopoly também aproveitou Game of Thrones e produziu uma linha de jogos com moedas do mundo de R.R. Martin, os jogadores compram holdfast e castelos em vez de casas e hotéis e a caixa ainda vem com uma miniatura do trono de ferro que toca a música do tema do programa. Game of Thrones: descubra como a série impactou a vida real dos fãs

 

A marca Aldi, varejista alemão, não possui vínculo oficial com Game of Thrones, mas criou seu próprio vídeo inspirado na série, em uma sátira com papéis higiênicos e o “trono”.

O perfil do Twitter do Banco Central também aproveitou a fama da série e mandou um recado: “A gente não tem como fiscalizar o Banco de Ferro de Braavos, em Essos, mas fiscaliza todas essas instituições aqui”, indicando um link para consulta das instituições financeiras em funcionamento no país.

 

Mudança em nome de rua

Em um condomínio na Austrália, na cidade de Geelong, Game Of Thrones provocou uma batalha. Lá, as ruas receberam nomes de personagens e de locais do seriado. 

O desenvolvedor do condomínio, Gary Smith, disse que ele foi obrigado a mudar o nome da rua “Lannaster Road” por causa da ligação entre os irmãos Lannister. Para acabar com o problema, a rua passou a se chamar “Precinct Road”.

Mais de uma dúzia de ruas foram inspiradas em GoT, chamando, por exemplo, Stannis, Winterfell, Greyjoy, Baelish e Tywin. Mas apenas Lannaster Road recebeu reclamações.

Gary Smith ainda diz que a mais famosa é “Snow Street”, uma homenagem a Jon Snow, o favorito dos fãs, na época. Mas ele diz que o único erro que cometeram foi nomear uma pequena rua, pois todos acreditavam que Jon Snow estava morto, mas ele voltou à vida na temporada seguinte.

Smith conta que estava muito difícil encontrar nomes novos e originais para as ruas, principalmente em uma cidade grande, como Geelong. “Você precisa pensar fora da caixa; nós estávamos recebendo tantos nomes rejeitados. É por isso que fomos para o Game of Thrones”, diz.

 

Curso de dothraki

O criador da linguagem dothraki, David J. Peterson, foi aluno, em 2001, de Andrew Garret, presidente do departamento de linguística da UC Berkeley, na disciplina de “Linguística Histórica”. O professor sempre notou que o aluno tinha enorme capacidade em inventar novos idiomas, mas sempre acreditou que isso não passaria de um hobby.

Mas após um mestrado em linguística na UC San Diego, em 2005, Peterson foi contratado como criador de linguagem em GoT, se tornando o pai do dothraki. Quando o ex-professor soube dessa informação, convidou Peterson para ministrar um curso na UC Berkeley, como o tema “A Linguística de Game of Thrones e a Arte da Invenção da Linguagem”.

 

Abandono de Huskies

Segundo o portal G1, em notícia de 2017, o número de cães da raça Husky aumentou em abrigos nos Estados Unidos. Os abrigos ainda confirmam o fato, pois muitos animais possuem microships nos quais é possível verificar seus nomes, que em geral, são Lady, Ghost, Nymeria, Grey Wind ou Summer, os mesmos dos lobos do programa.

Os registros da cidade apontam que, em 2012 foram resgatados 14 huskies abandonados, e em 2015 esse número chegou a 33.

O jornal britânico “The Independent” apontou o aumento de abandono de huskies em 2014, com ONGs de resgate se queixando de que os abrigos estavam lotados de jovens cães da raça abandonados.

De acordo com Angelique Miller, do Northern California Sled Dog Rescue, o ciclo de três anos é o tempo médio que os donos percebem que o pequeno filhote virou um animal de grande porte, que demanda cuidados, atenção e gastos maiores do que os inicialmente previstos.

E esse péssimo costume não ficou apenas com os huskies por causa de GoT, mas aconteceu algo parecido com os cães da raça dálmata na década de 90, por causa do filme “101 Dálmatas”, e chihuahuas em 2008, devido ao filme “Perdido pra cachorro”.

POR FAVOR, NÃO FAÇAM ISSO!Game of Thrones: descubra como a série impactou a vida real dos fãs

 

Por: Ana Clara Turchetti