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NASCE UMA ESTRELA: Lady Gaga atua bem, mas Bradley Cooper é o grande destaque do filme

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Que Lady Gaga já nasceu uma estrela todos sabem, e cada vez mais é possível constatar que ela brilha de formas variadas. A carreira de Gaga como cantora e compositora está consolidada há alguns anos, mas a vida como atriz parece estar chegando no ápice por agora. Apesar de já ter vencido um Globo de Ouro por sua atuação em American Horror Story, em 2016, Lady Gaga nunca recebeu tantos elogios como tem recebido pelo papel em Nasce uma Estrela.

Dirigido por Bradley Cooper, o filme conta a história de Jackson Maine (interpretado pelo próprio Cooper), um músico de sucesso que enfrenta problemas com o álcool e as drogas. Sim, o personagem de Cooper é o protagonista. No entanto, o enredo gira em torno da relação dele com Ally, personagem de Gaga. Jackson Maine conhece Ally, se encanta com seu talento musical e começa a ajudá-la na busca pela fama e pelo reconhecimento da indústria.

O longa-metragem pode ser dividido em dois atos. No primeiro vemos, com clareza, o bom trabalho feito por Lady Gaga e Bradley Cooper, já que nele acontecem as cenas pré-fama de Ally. As cenas mais emocionantes e bem dirigidas estão presentes nessa primeira parte, por mérito da dupla. Gaga consegue se destacar como uma pessoa normal, com uma atuação consistente e que utiliza seus talentos vocais para conquistar o público.

Da mesma forma, Bradley Cooper dirige as cenas musicais de uma forma intimista e diferente, dando uma visão misteriosa e, em alguns momentos, angustiante da vida de grandes músicos. Tudo isso com uma bela fotografia, uma ótima montagem e uma mixagem de som impecável. Para completar, Cooper tem uma das atuações mais fortes de sua carreira.

O ator/diretor construiu um Jackson Maine extremamente profundo, com backgrounds interessantes e trejeitos peculiares. Uma indicação ao Oscar parece mais certa para ele do que para Lady Gaga, apesar do apelo midiático contribuir para a presença da diva pop na premiação (algo que seria justificável em uma categoria de atriz coadjuvante).

Isso porque o segundo ato de Nasce uma Estrela não apresenta grandes dificuldades para a artista. Lady Gaga pôde incorporar Lady Gaga, se tornando uma diva pop até mesmo no filme. A partir disso, a maior parte dos conflitos do filme acontece por conta do personagem de Cooper. A emoção transmitida na primeira parte se perde na segunda, mesmo com o crescimento da carga dramática.

A qualidade técnica se mantém, mas não é mais tão necessária, enquanto o roteiro escolhe a previsibilidade, com personagens tendo motivações fracas para atitudes extremamente fortes. Apesar da queda, é um filme que cumpre bem seu papel.

Nasce uma Estrela tem mensagens fortes e consegue transmiti-las, e isso já é um ponto muito positivo. Por ser um remake, a sensação de Déjà vu se faz presente em  certos momentos da trama, mas isso não prejudica a experiência, que é emocionante e prende a atenção. A produção tem sido divulgada, do ponto de vista publicitário, como o filme de Lady Gaga.

No entanto, Nasce uma Estrela é de Bradley Cooper, que atingiu outro nível como ator e demonstrou ter talento como diretor. A química entre ele e Lady Gaga é fundamental para o andamento da narrativa, assim como a figura de Gaga é importantíssima para alavancar as bilheterias do longa-metragem. Mais um mérito de Cooper e da equipe de Marketing, que sabem como funcionam as indústria do cinema e da música (e os fãs da cantora).

Assim como Jackson Maine, a verdadeira estrela que nasceu do filme foi Bradley Cooper, e não Lady Gaga. E isso não é prejudicial para nenhum dos dois, mas pode deixar os Little Monsters incomodados. Por sorte e competência de ambos, tanto Cooper quanto Gaga devem ser reconhecidos por seus trabalhos nas maiores premiações cinematográficas do mundo, comprovando que a aposta na dupla foi um acerto gigantesco em um filme que pode até ser simples, mas não é nem um pouco raso.

Nota: 8/10

 

Por: Daniel Furlan