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Fellet com Fritas: Viva a Vida

Escrito por


Foto: Dudu Mazzei

Existe uma espécie de borboleta que vive um dia. Apenas um dia. Ela sai do casulo, copula, põe seus ovos, deixa sua hereditariedade; seu legado, e morre. O destino lhe impõe uma única alternativa: viva a vida!

Para esse tipo de mariposa, a frase motivacional “aproveite seu dia” se confunde com a própria existência. Um dia, afinal, possui todos os registros de sua biografia. Viva o dia; viva a vida.

Se, no tempo humano, a borboleta vive pouco ou quase nada, para os tubarões da Groelândia, que chegam a 400 anos, alcançar a nossa velhice tem efeito de puberdade. Seguindo essa lógica, já que a vida da gente termina ainda verdinha, no meio do caminho, não nos resta outra opção salvo viver a vida.

Na Índia, quando chega a primavera, para celebrar a estação, as pessoas saem às ruas vestidas de branco e jogam pós coloridos umas nas outras sob o som de música eletrônica. É uma maneira de viver a vida à la borboleta se pensarmos na matéria colorida de que ela é feita e na brevidade intensa do seu destino.

Que cada dia do calendário gregoriano – que nós humanos usamos desde o século XVI – tenha efeito de borboleta sobre nós, nos tornando colecionadores de encantos diários: observar a cor do tempo em sépia, ler um grifo no livro do Pessoa, experimentar sorvete na chapa.

 

Por: Carolina Fellet